CÂNEVE

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Região de Câneve vista da subida para a Cumeeira. Ao cimo a Bouçã

 

1. Câneve é um nome de origem italiana pouco usual em localidades de Portugal. Aparece-nos,porém, algumas vezes como apelido de pessoas, quase sempre escrito sem acento, mas com a mesma pronúncia de palavra esdrúxula. É também nome de uma cidade italiana. Significa cânhamo, que é um arbusto muito fibroso e, por isso, usado para fazer tecidos e cordas.        

2. O saudoso Professor Doutor Salvador Dias Arnaut tem no seu livro "Ladeia e Ladera", página XC, referência a uma doação de propriedade, onde um dos seus limites é "estrada que vem de Câneve para Penela". Esta doação tem a data de 1160. Tiro a conclusão óbvia que esta povoação já existia naquela data e pelo certo não existia a Venda das Figueiras. Uma estrada antiga de Tomar a Coimbra, passando por Penela, já se sabia que existia.
 
3. Os terrenos que cercam Câneve, incluindo os de toda a região, devem ter sido agricultados quando os romanos conquistaram o que é hoje Portugal e obrigaram as pessoas que cá existiam a descer os montes, onde então gostavam de viver, e a trabalhar no duro por conta do novo proprietário romano. Este, presumo, tinha o nome ou apelido de Câneve, que ficou como nome da localidade onde habitava.

4. A existência de uma capela neste lugar é referida por vários autores e também nas Memórias Paroquiais de 1758, inquérito que o governo da altura mandou a todos os párocos de Portugal, e que no caso da Cumeeira foi respondido pelo padre Cipriano Ferreira, cura da freguesia.
Todos referem que a padroeira é a Senhora do Ó, excepto Delfim José de Oliveira em "Apontamentos Históricos e Arqueológicos", que diz que a padroeira é a Senhora da Saúde. Deve ter sido confusão deste autor, embora na referida capela esteja a imagem da Senhora da Saúde.

5. Na verga do portal desta capela está a data de 1895, que só pode corresponder a uma restauração profunda da mesma, ou mesmo alargamento. A reparação feita há poucos anos foi muito feliz: retirou a cerâmica que cobria toda a parede onde se encontra o retábulo e o próprio chão. Ao arco cruzeiro e ao chão da capela-mor foi restituída a rusticidade antiga. Esta parte do edifício faz-nos pensar na sua antiguidade, que é muita. Penso que é a capela mais antiga de toda a freguesia. Ver fotos da Capela.

 

6. Segundo Delfim José de Oliveira, em "Apontamentos Históricos e Arqueológicos" tinha, em 1889, 40 fogos. A "Monografia do Município Penelense" atribui-lhe 42 fogos, sendo 71 pessoas do sexo masculino e 85 do sexo feminino. Isto o autor não o diz mas deve respeitar ao ano de 1910.

Actualmente tem uns 40 fogos, mas pouco mais de 80 pessoas.

                O pároco: Manuel Ventura Pinho

 

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