História da Freguesia da Cumeeira e concelho de Penela

Povoamento primitivo

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                                                                                                              Ponte romana

Antas, fósseis e outros achados dão-nos conta que o homem habitou esta região ainda antes mesmo dos celtas aqui chegarem. Crê-se que os fenícios aqui se tenham fixado, dedicando-se à caça e à pastorícia.

A anta ou dólmen do Laço, já desaparecida, a sul da Venda das Figueiras, e o Freixial com o seu bosque sagrado de carvalhos na descida da Cumeeira para a Venda das Figueiras, que mais tarde foi cristianizado com o nome de S. Jorge, são testemunho de que aqui viveram povos de civilizações primitivas.

Muito antes de Jesus ter nascido, já os romanos tinham também aqui chegado, obrigando os que aqui viviam a descer dos montes e a dedicar-se à agricultura.

A estrada romana que por aqui passava e a ponte feita por esse povo e que atravessava o curso de água junto à actual capela de S. António da Venda das Figueiras  são prova de que a civilização romana também aqui chegou.

Mas com o decorrer dos tempos os romanos também foram vencidos por outros povos vindos de longe e aos alanos coube fixar-se na região que hoje é a nossa.

As guerras e carnificinas que se sucederam deram lugar à paz e a religião cristã que eles aqui encontraram fizeram-na também sua.

Tudo estava de novo em paz, mas outros povos aqui vieram parar – os suevos, os godos, os vândalos. As lutas recomeçaram e os vencidos chamaram em seu auxílio os mouros do norte de África. Assim aqui vieram parar esses povos de religião muçulmana, em 711.

Reconquista cristã

A vida dos povos que aqui viviam e trabalhavam nunca foi fácil. Mas agora tornara-se mais difícil. Os mouros eram muçulmanos e queriam que todos assim fossem. Alguns passaram-se para a nova religião mas outros mantiveram-se renitentes. E pouco a pouco, teve de haver alguma cedência.

Porém. muitos cristãos uniram-se nas Astúrias e com combates aqui e acolá foram-nos enxotando. Ficou célebre o rei Fernando Magno. Este no ano de 1064 chegou a Coimbra e conquistou a cidade. A queda desta cidade deve ter tido como efeito subsequente a queda de outros castelos. O de Penela foi um deles.

Mais tarde o infante D. Afonso Henriques chegou a Coimbra e começou a dar luta aos mouros. As terras libertadas iam recebendo forais. Um dos primeiros foi dado a Penela, em 1137. Soure e Miranda já os tinham recebido respectivamente em 1111 e 1136.

Estes forais marcavam os limites do concelho e traziam um conjunto de leis para boa vizinhança e pagamento de renda aos senhores seus donos.

O de Penela não definia os limites do sul mas incluía as terras que hoje pertencem às freguesias de Avelar, Aguda, Chão de Couce, Lagarteira e zona da Ateanha. Entre o concelho de Penela e o de Soure ficava uma faixa relativamente estreita que D. Afonso deixou que continuasse a pertencer ao município de Coimbra. Por aí passava outra estrada romana, vinda de Lisboa, Santarém, Tomar, Alvaiázere, Ansião, Rabaçal, Coimbra e Braga. Estas terras mais tarde irão dar lugar a novo concelho – o de Germanelo. Posteriormente passarão a integrar de novo o de Coimbra. Depois é criado novo concelho com sede em Rabaçal, que vai perdurar até 1852.

Em 1221 Avelar e Almofala passam a ser independentes de Penela. E o mesmo vai acontecer a Aguda, Chão de Couce e Pousaflores. O concelho de Penela passa assim a ter no sul os limites que ainda hoje tem.

Lagarteira só deixa o concelho de Penela para se integrar no de Ansião, por volta de 1836. O mesmo deve ter acontecido à paróquia de Ateanha.

Nota: Pode ver melhor a história destes concelhos no livro "Ladeia ou Ladera" de Salvador Dias Arnaut.

Foral de Penela dado por D. Afonso Henriques

Imnomyny domyny amen Eu afonso filho do conde dom enrrique E da rreynha dona tarreija faço carta de doaçom e de firmidom aos homeens de Penella e a todos os que ahi morarem dou e outorgo a vos o meu castello com seus termos e fontes e terras pacigoos rrotos E nom rrotos do qual uerdadeiramente estes ssom os termos da quella cabeça da mata furada e fere em adueça e vaya aquela cabeça dalbarrol e fere em natulhada e vay por aquelle lonbo rraso e fere em aquella carreira antiga da sserra como corre a auga da quelle rrio dalja e fere em direito em esse meesmo porto das lageas e sse vay a a cabeça do ovelha e destende por aquelle vale do pito e vem a a figeira e entra naquella auga da ladea ata aquelle ulmar e fere em aquella cabeça da mata furada dou e outorgo a vos esse castello com seus mui boos foros.»

«De hunm jugo de bois dous quarteiros meyo trygo e meyo cevada E aynda que hunm homem aja muytos bois nom dé mais de dous quarteiros.»

«E daquelles que hi chantarem vinhas E ouverem cinquo quinales de ende dous puçaes e nunca mais e nom va a moordomo a seu lagar.»

«Monteiro que nom der jugada e for ao monte des quando ouver em monte oito dias de alqueire de mel ou arrátel de cera.»

«De servo um lonbo.»

«E o coelheiro hum coelho com sua pelle.»

«De porco duas costas.»

«E o cavaleiro quantos homeens poder aver em sua herdade ssejam livres.»

«Molher sse o seu marido cavaleiro for morto em quauto for veuva nom pague.»

«O cavaleiro sse veer em perda ou em pobreza nom dé jugada.»

«E jugada Todos os que hi morarem e ouverem duas jugadas de bois e dez ovelhas e duaas vacas e hum leito de rroupa aquelle que mais ouver merque en de cavalo.»

«Domecido e de rronso dentro feito trinta ssoldos E de fora quynze soldos.»

«Do ladrom cinquo soldos e feirraras deante e de trás da qual contia aja o rrey ametade e os moradores a outra metade.»

«Da vegia do muro o Rey ametade e os moradores a outra metade.»

«Da prova com sendo e com lança aquelle que matar dé dez ssoldos.»

«E da porrada hum ssoldo.» «Do Juiz ferido dez ssoldos.»

«Do ssayam ferido cinquo ssoldos.»

«E todas outras enjurias que hi forem feitas nom obeedeçam outra rrem mas façam Juizo antre sy E avenhão se bem.»

«E sse algum homem nom quizer em juizo dos vezinhos venda aquillo que hi ouver todo hi e saia se do noso castello.»

«Homem que for a casa de seus uezinhos sem alcaide e sem juiz dé ssaseenta soldos trinta ao Rey e trinta ao concelho.»

«E se aduser arma dé cinquo soldos e perca esa arma.»

«Quando formos em fossada del-Rey demos ametade como sua criaçom.»

«Homem de penella em quanto for difante nom dé portajem.»

«Homem de penella nom faça algum juizo se nom em seu castello.»

«E aquelle couto a que o vos mandastes sseja per seus termos.»

«E sse nenhum homem nom o quizer rromper peite sseiscentos soldos a Elrrey E todos os que veerem povoar as suas herdades onde quer que forem ssejam liures e o alcaide aja suas quintas e alcaidarias e seus foros.»

«E creligo que hi for na Igreia dé ao bispo que hi for huma pelle de gineta e hum alqueire de mel.»

«sse algum homem veer ou quizer conrromper este nosso escripto seja maldito e escomungado e condapnado no Inferno com Judas o treedor feita a carta da doaçom e íirmidom no mez de julho era de mil cento sateenta e cinquo annos Eu Ifante afonso que esta carta fazer encomendey e com minha maão a rroborey e este sinal fige = Lugar do sinal = +

Nota: FIca aqui a tradução do texto latino como se encontra em "Notícias de Penella – Apontamentos históricos e archeológicos", página 28 e seguintes.

 

Lugares da Paróquia da Cumeeira e sua história

 

Senhores da terra e Nobreza

 

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                                        Casa brasonada em Venda das Figueiras

Sabe-se que noutros tempos as terras pertenciam ao rei (reguengos) ou a senhores poderosos ou instiuições a quem tinham sido doadas. O povo trabalhava-as mas pagava a renda ou dízimo.

Parte da freguesia da Cumeeira pertenceu durante muitos anos ao Duque de Aveiro (caído em desgraça em 1759 por alegadamente ter atentado contra a vida de D. José I) e ao colégio do Espírito Santo de Évora da Ordem de S. Jorge. O Camporez era reguengo, por isso pagava o dízimo ao rei, que por sua vez o deu ao Convento de S. António de Penela, pelo menos durante algum tempo. Ver documentos vários sobre este Reguengo, transcritos por "Notícias de Penela" de Delfim José de Oliveira, onde refere as localidades que lhe pertenciam.

Nestas terras habitaram pessoas nobres. Testemunho disso é o brasão que ainda se encontra numa casa de Venda das Figueiras.

A Paróquia da Cumeeira

 

       Esta paróquia foi criada a partir das da vila de Penela para permitir um melhor serviço pastoral e, por isso,  foi durante muitos séculos apenas um curato das Igrejas de S. Miguel e de Santa Eufémia. O mesmo se passava com a da  Lagarteira e da Ateanha.

       Assim o padre que as pastoreava era chamado cura (de cuidar) ou vigário (de estar em vez de outrem), pois dependia dos priores de Penela.

       Deixo aqui  alguns apontamentos toponímicos e históricos de cada lugar a ela pertencentes, que entretanto com o tempo e ajuda dos leitores talvez poderei vir a desenvolver.

       Começo pela sede da Freguesia, e aí aproveito para deixar uma visão histórica mais global.  Depois para melhor ordenamento, agrupo a cada capela os lugares que lhe estão próximos.

        NOTA: Para ver o conteúdo de cada íten, clique com o botão do rato sobre ele.

 

01. Cumeeira

02. Bouçã

03. Cabeça Redonda

04. Câneve

05. Favacal

06. Ferraria de S. João

07. Grocinas

08. Louriceira

08. S. Paulo

10. Venda das Figueiras

11. Venda dos Moinhos

 

                                                              O pároco: P. Manuel Ventura Pinho

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