GROCINAS
Região de Grocinas |
GROCINAS
1. Grocinas é um topónimo raro, se não único, e tal vocábulo não é registado pelos dicionários. Daí que seja difícil dizer o que significa. A versão popular é a seguinte:
Neste lugar havia vários alfaiates e sapateiros e um dia um disse que aquelas agulhas eram demasiado grocinas para o serviço que tinha em mãos. Acharam graça ao termo e a palavra ficou como nome da terra.
Estas lendas populares para explicação dos nomes das terras são quase sempre muito ingénuas. Não é plausível que uma localidade mude de nome só por um ditote ou coisa parecida. Ou que até aí o lugar não tenha nome! A lenda do nome de Penela, que diz que se chama assim por que D. Afonso Henriques teria dito aos seus soldados que não tivessem medo por que já tinha posto o "pé nela" tem a mesma ingenuidade. A terra já tinha esse nome há muito e até já tinha o castelo. De Ansião diz a lenda qe se chama assim por que a Rainha Santa Isabel tinha sempre à sua espera um ancião a quem dava esmola. Mas Ansião ou Ancião - a escrita nesse tempo era indiferente - já se chamava assim há séculos.
No caso de Grocinas, acho que o nome deve referir-se à qualidade do solo: terras algo grossas. Até por que alguns párocos escreveram Grosseiras em vez de Grocinas. E esta terra ficava muitas vezes só com os os "ossos", quando vinham as enxurradas lá da serra e levavam o melhor do solo para a baixa da Venda dos Moinhos.
2. A existência de uma capela dedicada a Santo Aleixo é referida por vários autores e também nas Memórias Paroquiais de 1758, inquérito que o governo da altura mandou a todos os párocos de Portugal, e que no caso da Cumeeira foi respondido pelo padre Cipriano Ferreira, cura da freguesia durante muitos anos. Ver fotos da Capela.
Porém Delfim José de Oliveira em "Apontamentos Históricos e Arqueológicos", de 1884, diz que a Capela é dedicada à Senhora do Livramento. O mesmo faz Jarnaut, no seu livro "Monografia do Município Penelense", de 1915, mas deixou uma nota que diz o seguinte:
"Antigamente havia no centro deste lugar uma pequeníssima capela de Santo Aleixo, que não sendo suficiente para o povo, foi demolida e feita outra em 1898 a expensas do povo, sob a invocação que hoje tem em terreno que gratuitamente ofereceu Vicente Simões Canhoto, homem pobre deste lugar. Aqui foi colocado o Santo Aleixo que é festejado em 2 de Fevereiro".
3. Segundo este mesmo autor, Jarnaut, este lugar tinha, em 1910, 57 fogos, com 114 pessoas do sexo masculino e 118 do sexo feminino, no total de 232 indivíduos.
Delfim José de Oliveira diz que tem, em 1889, 54 fogos, com 213 pessoas, sendo 107 homens e 106 mulheres.
Actualmente tem umas 55 casas habitadas, com umas 120 pessoas.
4. Este lugar tem uma Associação Cultural, uma serração, uma carpintaria, uma oficina de bate-chapas, uma mercearia e uma escola desactivada.
5. Um cemitério serve também este lugar e outros vizinhos.
CASAL NOVO
1. O lugar de Casal Novo deve também ser antigo. Começou a usar-se o nome "casal" nos primeiros tempos da nacionalidade portuguesa, correspondendo à "vila" rústica dos tempos dos romanos, e "aldeia" do tempo dos mouros. Talvez morasse nesse casal o que se encarregava de dirigir o trabalho das terras e de recolher as rendas. Os trabalhadores morariam em pequenas habitações ou palhotas em seu redor.
2. Em 1889, diz Delfim de Oliveira que tinha 13 fogos, com 14 homens e 20 mulheres.
Por sua vez Jarnaut atribui-lhe, em 1910, 21 fogos, com 22 homens e 31 mulheres.
O pároco: Manuel Ventura Pinho