Venda dos Moinhos e Azenha

Capela da Venda dos Moinhos |
1.A Venda dos Moinhos deve o seu nome, como facilmente se deduz, à existência de uma venda junto de moinhos. Como disse quando escrevi sobre a Venda das Figueiras, por aqui passava uma estrada construida já no tempo do domínio romano e que continuou a servir a região durante muitos séculos. Penso que seria a que passa junto à capela deste lugar. Aí também estaria a venda, loja que serviria os habitantes da região e os viandantes. Só entre 1881 e 1887 foi construída outra estrada de 1.ª ordem n.º 51 em macadam, que vindo de Tomar atravessava todo o concelho de Penela até ao Porto Judeu.
Como já referi, o topónimo "Venda" ou "Vendas" começou a aparecer no século XIII e é comum onde na altura existiam estradas de grande curso. Na região estou a lembrar-me das seguintes:
Venda Nova, Venda das Papas, Venda do Negro, Venda do Preto, Venda da Gaita (mudou o nome para Santa Cruz), Venda do Brasil (outrora era Venda do Basílio), Vendas de Maria , Venda do Barqueiro, Venda das Figueiras, Venda dos Moinhos e Venda de Podentes.
2. Moinhos também não faltavam na região. Segundo Delfim José de Oliveira, em "Apontamentos Históricos e Arqueológicos", havia naquele tempo - 1884 - 3 moinhos em Venda dos Moinhos e 6 em Grocinas. Para além de um movido a àgua a que chamavam azenha. Este deu mesmo nome a um lugar, que ainda hoje é referenciado pelo povo, e de que falarei mais à frente.
3. A região da Venda dos Moinhos é farta em água, recebendo aqui a descarga de vários ribeiros, havendo até notícia de algumas inundações com muitos estragos. Segundo me é dito, desde há uns anos está mesmo proibida a construção de novas casas.
Transcrevo a "Monografia do Município Penelense" de Jarnaut: "Os diversos cursos de água que existem são: principiando pela vertente ocidental da serra de S. João de Alconchel: Ribeiro Coto que tem princípio numa fonte próximo do lugar da Abrunheira e limita em parte pelo sul este concelho, desviando-se depois para o norte, banha a Venda das Figueiras onde toma o nome de ribeiro da Venda das Figueiras, e assim vai correndo até a Venda dos Moinhos onde chega com o nome de Ribeira Sabugueira, e junta-se com outras, tendo banhado o Ribeirinho. Ribeira de Bouçã, que nasce no Vale das Vacas, e correndo para o poente banha aquele lugar, próximo do qual recebe na margem direita o ribeiro do Favacal, e passando próximo das Grocinas com o nome de ribeira do Salgueiral, chega á Venda dos Moinhos com o nome de Ribeira da Franquida, juntando-se aqui com a já mencionada Ribeira Sabugueira. Ribeiro Figueiró, que principia no Casal Matias e correndo para poente vem juntar-se à ribeira de Viavai no sítio denominado Porto Carro. A Ribeira de Viavai, nasce na fonte Sernandes, cujo nome toma, e depois o de Porto Madeiro; banha Porto da Vila, Viavai, e desde que recebe o antecedente até á Venda dos Moinhos onde desagua tem o nome de Ribeira da Franquida. A junção da ribeira Sabugueira, da Trunqueira e da Franquida na Venda dos Moi nhos dão origem à ribeira da Várzia Longa que correndo para norte, passa próximo das Ferrarias onde recebe na margem esquerda o ribeiro do Camporez, formado das águas pluviais que caem no campo da Lagarteira, vai desaguar ao rio Duessa nas Quarelinhas ......."
4. O Padre Cipriano Ferreira, de que já falei noutros lugares, dá conta que já em 1758 existia dentro do lugar de Venda dos Moinhos uma Capela a S. Marcos. Delfim José de Oliveira, em "Apontamentos Históricos e Arqueológicos", fala numa capela a Santa Luzia. Jarnaut, em 1910, tem a nota seguinte: "Até 1781 foi de S. Marcos, daqui em diante de S.ta Luzia." Ver fotos da Capela.
5. A Venda dos Moinhos tinha em 1889, segundo Delfim José de Oliveira, em "Apontamentos Históricos e Arqueológicos", 53 fogos e 99 habitantes do sexo masculino e 122 do sexo feminino. Passados uns 20 anos, já tinha 72 fogos e 289 pessoas, sendo 134 homens e 155 mulheres, diz a "Monografia do Município Penelense".
6. A Azenha fica entre Grocinas e Venda dos Moinhos e ganhou o nome por via de uma azenha aí existente. Segundo o referido Padre Cipriano Ferreira, tinha em 1758 uma Quinta com uma capela particular em honra de S. Bernardo. .
7. A Azenha tinha em 1889, segundo Delfim José de Oliveira, em
"Apontamentos Históricos e Arqueológicos", 12 fogos e 19 habitantes do
sexo masculino e 17 do sexo feminino. Passados uns 20 anos, diz a "Mon.ografia
do Município Penelense" que tinha 8 fogos e 39 pessoas, sendo 18 homens e 21
mulheres, .
Dizem-me que não existe já a capela mas a imagem estará na posse dos herdeiros da
Quinta de S. Bernardo da Azenha.
O pároco: Manuel Ventura Pinho